Já era noite. Estava sentado na frente do computador com a
mente cheia. Pensamentos varados de um dia cheio. E nesse momento eu só pensava
em sair e transparecer a mente, sem pensar que ainda era quarta-feira. Tendo mais
dois dias a frente seguido de mais dois de trabalho a fundo.
Coloquei uma roupa confortável e resolvi sair para
transparecer. Coloquei uma playlist da noite com músicas suaves para ajudar no
clima e continuei andando.
Ao virar a esquina me deparo com um carro vermelho com uma
listra branca. Mas não uma listra qualquer era uma listra branca perolada que
reluzia as luzes do poste. Era algo no mínimo inusitado mas achei aquilo o
máximo, bem diferente do tradicionais preto e prata andantes da rua afora. Nesse estante sinto alguém
me olhando. Como se eu estivesse sendo observado. Mas continuo andando e tento
me acalmar pensando ser algo da minha mente.
Com o pensamento longe e a música alta, as quadras se passam
e quando me dou conta, estou a mais quadras que deveria de casa. Quando observo
esse detalhe, vejo novamente o carro passar, porem nesse momento o mesmo desacelera,
abaixa o vidro e fita os meus olhos de uma maneira intrigante. Eis que algo me
domina e começo a seguir o carro.
Ao chegar no carro sinto um cheiro adocicado levemente amadeirado, o
mínimo excitante. Ao me encosta me deparo com um homem de alto porte, barba
crescente, cabelo arrumado em um corte moderno, com bastante gel e olhos
pretos.
Nunca tinha visto olhos pretos de verdade, sempre ouvia
historias mas ao vivo foi a primeira vez. De certo ele era um homem bem de vida,
com seus trinta e poucos anos, uma carreira bem sucedida e casado. Geralmente homens assim sempre se casam com mulheres perfeitas a vista da sociedade.
Ao olhar sua mão observo um sombra sobre o seu anelar, imagino ser casado. Para estar a esta hora na rua vagando deve estar cansado das brigas após o serviço e resolveu ir distrair a mente de uma forma nada convencional. Ou talvez bem convencional.