A essa hora da manhã me pego no pensamento de quem realmente
sou. Será possível uma pessoa mudar tento em tão pouco tempo. Vejo as fotos e
apenas não me reconheço. Vejo pessoas parecidas comigo, só que como se fosse
vultos no meio de uma multidão. Enxergo-as, mas não as enxergo por dentro.
Observo que cresci. Hoje estou mais adulto. Que medo desta palavra. Algo que Fuji
a minha vida inteiro hoje me pego a viver com ela em harmonia. Sigo os passos
de alguém que quer sempre mais, porem que sofre com a falta de seguro. Talvez o
relacionamento que terminou alguns meses pudesse ter mudado meu rumo.
Foram dois anos e meios e uma mudança drástica. Fomos de
amantes apaixonados para desconhecidos. Ao encontra-lo não sentia nada. Apenas
um vazio insuportável. Aquele vazio com se alguém tivesse lhe tirado um órgão
vital e você esta la. Olhando e procurando algo ou alguém que possa fazer este
transplante ou menos devolvê-lo o que não esta mais com você. Ele me pertence
por direito. Ninguém tem o direito de tirar isto de mim. Mas tiraram. Doeu?
Muitoooo. Pra caralhoooo. Ver-me no
espelho e não chorar. Simplesmente por não sentir nada. Escutar músicas, ver
filmes, ler histórias e continuar não sentindo nada. O que eu me tornei. Eu me
tornei o que todos se tornaram. Mais um na multidão a espera de alguém, ou um
milagre, que me tire daqui. Que me faça enxerga no fim do túnel aquela luz
brilhante e cintilante ao qual Cinderela teve por uma noite e que logo depois
teve para vida inteira. Mas a quem quero enganar. Aqui não existe gata
borralheira muito menos príncipes. Só existe nós. Seres humanos, errôneos e sobreviventes
dessa vida passando cada dia como se fosse mais um ate o final trágico ao qual
todos teremos.
